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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 (hora do fechamento: 10:46:32) |
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Fonte: Folha de S. Paulo |
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| Abalo nos mercados provoca temor de novo ciclo de baixa |
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Turbulência no cenário internacional faz Bovespa perder o ritmo forte de janeiro
Para analistas, entre os fatores que mais afetaram a Bolsa estão a dependência das commodities e maior presença de capital externo
Depois de iniciar 2010 em forte ritmo e fazer muita gente imaginar que este seria mais um ano de expressivos lucros na Bolsa de Valores, o mercado de ações virou, sucumbindo à piora do cenário internacional. A BM&FBovespa amarga perdas acumuladas de 8,49% no ano -isso sem que as perspectivas favoráveis para a economia e as empresas brasileiras sofressem qualquer mácula. A dúvida que se instaurou é se essa queda toda foi apenas um susto ou se um novo período, menos afortunado para as ações, se iniciou. Apenas na semana passada, o índice Ibovespa, o principal do mercado, sofreu desvalorização de 4,04%. "Temos de considerar que havia muita gordura para a Bolsa queimar. Ainda é cedo para falar que o mercado abandonou o canal de alta e pensar que voltará a enfrentar momentos como os vividos durante o pior da crise. Vou começar a me preocupar mais caso a Bolsa perca o patamar dos 60 mil pontos", diz Maurício Ceará, estrategista da Santander Corretora. O que os analistas têm destacado é que três fatores pesaram para que a Bolsa fosse uma das mais punidas no mundo nos últimos pregões: sua grande dependência de papéis atrelados às commodities; o fato de ter subido 82,7% em 2009; e a participação expressiva do capital externo nos pregões. No pico do ano, o Ibovespa, que reúne as 63 ações mais negociadas, atingiu 70.729 pontos. Isso ocorreu no dia 6 de janeiro. Na sexta, desceu a 62.672 pontos, menor patamar em três meses. A pontuação oscila com o sobe-e-desce das ações. Quanto mais valorizados os papéis estão, maior a pontuação. "As preocupações com a economia de alguns países europeus, como Grécia e Portugal, deixaram o investidor mais cauteloso. Como vínhamos de um longo período de ganhos, o ajuste acabou ocorrendo. Entendo o que vimos nos últimos pregões muito mais como uma realização de lucros, um movimento temporário", diz Roberto Padovani, estrategista-chefe do banco WestLB. Para Alexandre Chaia, professor do Insper (antigo Ibmec-SP), "a Bolsa é refém do mundo. Vai ser difícil retomar os picos recentes no curto prazo".
Perspectivas Na opinião do estrategista da Santander Corretora, apesar das grandes incertezas de curto prazo, o mercado de ações mantém-se como uma aposta interessante quando se avaliam períodos mais longos. "Para quem está fora do mercado e tiver um horizonte de investimentos de longo prazo, dá para pensar em reservar uns 25% das economias para aplicar na Bolsa", diz Ceará. Alguns setores tradicionais da Bolsa, mesmo com expectativas bastante favoráveis para 2010, estão com queda acumulada acima do Ibovespa. O exemplo mais claro é o do setor bancário. O papel preferencial do Itaú Unibanco está com desvalorização anual de 9,58%. A ação PN do Bradesco registra perdas de 9,06%. E Banco do Brasil ON amarga recuo de 6,06% no ano. Isso em um cenário de expectativa de ampliação dos lucros dos bancos, que prometem ser beneficiados com a expansão do crédito e o aumento dos juros.
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