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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010    (hora do fechamento: 10:46:32)
  Capa Fonte: O Estado de S. Paulo
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economia
Diversificar é chave no novo cenário

Com queda dos juros, investidor terá de conviver com mais risco

Fabio Gallo

Com um capital considerável aplicado na poupança, qual seria a forma de utilizá-lo no contexto econômica do País hoje? Se houver necessidade de aplicar todo o capital poupado, seria mais interessante procurar financiar algum empréstimo, mantendo uma reserva de segurança?

Com a tendência de passarmos a conviver com taxas de juros mais baixas do que as praticadas atualmente, em virtude de um panorama econômico saudável, realmente deixar a sua "poupança" em um ativo financeiro de baixo retorno não deverá ser uma boa estratégia. Você deve começar a pensar em diversificar os seus investimentos e aplicar parte de seus recursos em outras modalidades com mais retorno, mas que terão um grau de risco maior. No caso de você necessitar fazer algum investimento (exemplo comprar um imóvel) e tiver de usar a sua poupança, não é recomendável que você, tendo recursos, financie algo para manter reservas. Esse tipo de raciocínio é denominado de contabilidade mental e é muito mais comum do que possa parecer. São aquelas pessoas que mantêm reservas e, ao mesmo tempo, têm dividas. Não há cálculo financeiro que justifique essa posição. A recomendação é usar no investimento somente parte de seus recursos e manter outra parte guardada.

O sr. recomendaria investimento de pessoas físicas em debêntures de empresas? Quais as vantagens e desvantagens?

Primeiro, vamos deixar mais claro o que é uma debênture para que todos os leitores possam conhecer esse ativo financeiro. Debêntures são títulos privados de dívida, de médio e longo prazos, emitidos por empresas e colocadas no mercado entre investidores institucionais. Trata-se de uma aplicação que oferece boas taxas de retorno, podem ser conversíveis em ações ou cotas de participação em empreendimentos. Há, ainda, outras características, como as descritas acima, que são interessantes para o investidor. De outro lado, devemos estar atentos porque o risco desse título é o da empresa emissora. Além disso, nem sempre há liquidez para esse título e o valor de aplicação é alto. Por exemplo, há no mercado lançamentos a R$10 mil (uma única debênture). Consulte o site da Cetip (
www.cetip.com.br), que é o Balcão Organizado de Ativos e Derivativos, para verificar prospectos de lançamentos de debêntures.

Como o sr. vê o investimento em fundos imobiliários e outros produtos do gênero, como Letras Hipotecárias?

A Letra Hipotecária é um título baseado em crédito imobiliário, com emissão privativa de instituições financeiras que atuem na concessão de financiamentos com recursos do Sistema Financeiro da Habitação e companhias hipotecárias, como associação de poupança e empréstimo, bancos múltiplos com carteira de crédito imobiliário, companhia hipotecária e sociedades de crédito imobiliário. Fundos Imobiliários são formados por grupos de investidores, que são os cotistas, com o objetivo de aplicar recursos em negócios imobiliários, desde empreendimentos ou imóveis prontos. As várias possibilidades de investimento financeiro que uma economia desenvolvida oferece são sempre boas em si. Mas isso não significa que essas oportunidades sejam interessantes para todos os investidores de maneira geral, pois depende do perfil de cada um, de como está constituída a sua carteira, dos seus objetivos e do prazo à disposição para o investimento, entre outros fatores.

Qual a melhor idade para começar um fundo de previdência privada?

Nunca é tarde para você iniciar uma poupança, principalmente quando estamos falando da aposentadoria. Não se deve esperar até o último minuto para descobrir que o que você tem não dá para viver e, assim, ter de abandonar sonhos ou até mesmo deixar de lado alguns hábitos e confortos. Seja previdente. Comece a pensar já em seu futuro. Um exemplo para deixar claro quanto custa a demora: digamos que você queira juntar R$ 500 mil aos 60 anos, considerando 1% de juros ao mês. Se você tiver 31 anos, seu investimento mensal deverá ser de R$ 161,80, durante um período de 29 anos. Nesse exemplo, você teria de depositar R$ 18,74 a mais por mês em relação a quem tenha iniciado a poupança um ano antes.

Todo mundo diz que Bolsa é investimento de longo prazo. Devo mesmo comprar uma ação e "esquecer" dela por anos e anos? Ou devo acompanhar o desempenho e, eventualmente, vendê-lo, se teve uma valorização inadequada?

Uma frase por vezes repetida é "investir em ações é sempre um bom investimento no longo prazo". Parafraseando Confúcio, já citado por John Maynard Keynes (um dos maiores economistas do século passado), no longo prazo, todos estaremos mortos. Aplicar recursos em ações é uma boa escolha, mas o problema da frase mencionada é que dá a entender que basta aplicarmos dinheiro em ações, não fazer mais nada e somente deixar o tempo passar que iremos ganhar um bom retorno. Quem dera que os investimentos funcionassem dessa forma. Um gráfico que compare o desempenho de longo prazo do Índice Bovespa com o do CDI (taxa de referência para aplicações em renda fixa) mostra que há muito mais volatilidade na renda variável. Sabe qual é o resultado caso uma pessoa tivesse aplicado R$ 100,00 no Ibovespa no início de 1995 e permanecesse até 2009? Ela teria melhor retorno se tivesse conseguido aplicar em 100% do CDI. Obviamente, entrando e saindo da bolsa em períodos distintos desse, haveria resultado positivo, por exemplo, de 2003 para frente. Mas esse é o problema: saber a hora certa de entrar e de sair da aplicação.

Fabio Gallo é professor de Finanças da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV) e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Graduado em engenharia e administração de empresas, além de ter doutorado em Finanças pela FGV, Gallo já escreveu vários livros, nos quais abordou temas como investimentos, aposentadoria, orçamento familiar e educação.

 

   
 
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