O presidente do Banco Central deixou claro, na sexta-feira, 5, em Caxias do Sul, RS, que a atual política econômica do governo não sofrerá mudanças substanciais a despeito de cobranças e reivindicações de entidades de classe. Ele participou de reunião-almoço extraordinária na CIC, Câmara de Indústria, Comércio e Serviços.
Sua exposição foi centrada na comparação de números atuais com os de 2003. Com base neles sustentou que a economia tornou-se estável, garantia para o crescimento sustentável: "Hoje, em reuniões como esta, não se discute mais o que fazer para sair de uma crise. Agora se debatem ações visando ao longo prazo".
Ele descarta a ideia de que os recentes problemas em países europeus, que repercutiram negativamente nas bolsas de valores de todo o mundo, se transformem em dificuldades internas: "Só não podemos ser otimistas em excesso. Nossa economia é estável, mas precisamos estar sempre atentos e preparados para eventuais crises externas".
O presidente do BC projetou para este ano crescimento do PIB de 5,8%, bem acima do 0,2% de 2009, e de 15,8% nos investimentos, que foram 10% negativos no ano passado. A meta de inflação deste ano é de 4,6%, com tendência de recuo para os anos seguintes.
A classe empresarial de Caxias do Sul apresentou documento de reivindicações cobrando mudanças na política cambial, redução das taxas de juros, da dívida interna e dos spreads bancários e correção dos desequilíbrios no orçamento federal. O presidente do BC prometeu estudar todas, mas em sua exposição foi claro o suficiente para adiantar que pouco será alterado na política em curso.
Uma das principais preocupações locais é a queda de 42% nas exportações em 2009, para pouco mais de US$ 600 milhões. O presidente da CIC, Mílton Corlatti, reconheceu que parte do resultado negativo deve-se à retração do comércio mundial, mas sustentou que a política cambial em prática no País nos últimos anos contribuiu de forma significativa para esta perda.
Corlatti questionou se a intenção do Banco Central é manter, para 2010, a atual política cambial ou se atuará na reversão deste quadro, buscando a valorização do dólar. Também indagou sobre patamares que a instituição vislumbra para aquela moeda para os próximos meses e fim de 2010. Acabou sem resposta objetiva para nenhuma delas: o presidente do BC lembrou que exportadores de commodities, como Brasil, países da Zona do Euro, Austrália e Nova Zelândia, tiveram política cambial muito semelhante, com valorização da moeda.